VÁCUO POLÍTICO E IMPRENSA!
Publicado por Marcelo em Janeiro 24, 2008
Há muitos e muitos anos que a politologia nos ensina que sempre que há um vácuo na política, esse tende a ser ocupado pelo judiciário e/ou pela imprensa. Ou pela anarquia, o que é o pior. Em nível nacional se vê claramente que o vácuo deixado pela chamada base parlamentar do governo, adestrada a golpes de favores e trocas, tem sido ocupado pelo judiciário, que interpreta e normatiza na fronteira, quase legislando. No Rio-Capital não há partidos nem forças de oposição que atuem como tal. Há alguns parlamentares esperneantes, que de forma episódica, individual e inorgânica, deblateram contra a prefeitura. Com isso esse vácuo é ocupado pela imprensa, que faz as vezes de partido político, vocalizando a oposição.
Parlamentares que tem relações pessoais próximas com a imprensa aparecem mais. Pensam que estão fazendo oposição, mas na verdade estão servindo apenas para fazerem suíte das matérias da imprensa, que, parte desta sim, faz oposição. Dir-se-ia que esse é um processo quase inevitável. Não é simples num quadro de vazio desses, evitar a translação do jornalismo à política.
Podem-se dar exemplos diversos dessa inorganicidade. Um destes foi destacado por um repórter que cobre a Prefeitura do Rio e a Câmara Municipal para um jornal de oposição. Ele anotou que todos os vereadores presentes à nano-passeata dominical (e não por coincidência), nenhum deles compareceu para votar o orçamento de 2008. Todos ausentes. Ou seja: saíram de férias mais cedo. É natural -ironizou o repórter- que não saibam como o IPTU é aplicado.